Sobre “deitar e rolar”

Artise - Fotos

Senhor e senhora rocker, olhe atentamente para essa foto. Oque você vê? Uma banda oitentista de Rock…precisamente Glam Rock…Se trata dos “Still Dragons”, uma banda fake criada para o filme “Rockstar”…Inicialmente, o projeto pretendia ser uma biografia da afamada “JUDAS PRIEST”, e ainda bem que os caras se negaram a a dar autorização para isso. O filme acabou registrando muito bem a transição do Glam rock para o grunge, e de quebra ainda faz uma denúncia que todo “rocker” deveria ser capaz de perceber sem que fosse necessário se fazer um filme sobre…E a mentira é a seguinte…eles vendem para você que uma banda de rock bem sucedida dentro do estratosférico e instinto esquema de gravadora é fruto da iniciativa de um grupo de amigos que resolve se juntar por compartilhar um sonho…ledo engano…o Queen chegou ao ponto em que pegavam aviões separados para as turnês…Nada do que eles vendem é real…é simplesmente um produto…os exemplos de figuras de bandas famosas que nem mesmo se falam, são inúmeros…pode pesquisar sr rocker, garanto que você ficará surpreso…são muito poucos e raros os exemplos de bandas que vivem ou viveram de acordo com a imagem de clube feliz que se vê nas fotos…isso tudo é uma indústria, um negócio…nada além disso…bom filme o rockstar…dito isso podemos prosseguir…

DEITAR E ROLLAR BABY! Rock and roll!!!!Há quem traduza como “deitar e rolar!”…Gíria dos negros estadunidenses que muito tem haver com sexo, e que claro, foi absorvida rapidamente pela geração do pós guerra em uma legitima reação contra o puritanismo , tradição e um monte de outros ismos, para que outros ismos viessem a preencher a lacuna. Há quem diga que a palavra “juventude” só ganhou significado nos anos 50.Agora, musicalmente falando, estou do lado daqueles que apontam Chuck Berry como o primeiro a “deitar e rolar, bebé”! O camarada era contratado da Chees records , gravadora de Leonard Chees (tinha que ter um judeu na parada) que introduziu o Blues no mercado fonográfico. Devido ao grande sucesso de Chuck, que levara inúmeras garotas brancas a ter sonhos molhados com o guitarrista, quando não a “deitar e rolar” com ele, o que era um escândalo dos infernos para o puritanismo ETNO centrista estadunidense, alguém resolveu pintar os cabelos de um louro e transforma-lo no REI, e eis que surge ELVIS PRESLEY, bonitão, brancão, e PRODUTÃO publicitário. Que bom que não conseguiram fazer nada disso com o rap. Os anos cinquenta foram a infância do Rock, os 60 e 70 a sua adolescência, e os noventa a velhice precoce. A geração Beat, o flower Power, os panteras negras, as investidas de Nixon pela moralização, toda a tensão entre juventude e poder político, criava um estado de coisas aonde o “deitar e rolar” deveria ser levado ao extremo dos excessos. Quanto maior o sucesso de uma banda, maior a exigência dos olhares do público e da imprensa. Uma banda de rock devia ser boemia até o osso, barbara até o ultimo buraco da medula, e foi nessa época que se criou um padrão que apesar de sofrer variações com o passar dos anos, persistiu por muito tempo. O do rock star bonito, viril e “pegador”, e a matriz de tal modelo era o gênio JIM MORRISON.

O problema é que esse modelo não reproduziu, salvo algumas exceções, a maturidade poética de Jim e a preocupação em transformar um espetáculo musical em uma celebração mística que culminasse em uma experiência religiosa por parte dos envolvidos, público e banda. Os Doors não eram como os Beatlles. Eles provocavam silencio e reflexão na mesma medida da histeria. As pessoas paravam para ouvir. O Black Sabbath, O Uriah Hepp e o  Led Zepeling , trouxeram o ocultismo para o rock, mas foi o The Doors que fez valer a alquimia, a fusão oriente e ocidente, o êxtase e a provocação de colocar um espelho na nossa frente e dizer “veja só, o espelho está vazio, seja lá o que você vê, ainda não é você”…Me perdoem se esqueci alguém em meu apontamento sobre ocultismo. Não pretendo me afirmar um expert aqui, longe disso, não tenho mais quinze anos, não tenho ícones, apenas aprecio a boa música, seja ela rock ou não…Fui muito mais um marginal nos meus tempos de envolvimento com o rock do que alguém que se possa apontar como representante de qualquer outra coisa que não fosse a busca pela espiritualidade.

 Mas , como tudo que é bom a partir do momento em que a televisão chegou em nossas casas tem que virar indústria, surge o Glam Rock e toda a farofada dos oitenta, e como não haveria de ser diferente, a indústria elege os brancos e tira os negros da jogada definitivamente. E ai chega o grunge dos anos noventa fazendo justiça ao “do it your self” e quebrando todo um modelo na figura de Kurt Kobain. Tenho observado que a nova geração rocker pouco tem haver com os “promíscuos” dos anos 60, 70 , e do glam rock. Os caras tem filho cedo, se casam, vivem uma relação por vez. (ou fingem viver uma relação por vez e etc…)Eis ai o novo modelo, o modelo Kobain. Acredito que o NIRVANA foi uma das últimas bandas honestas do rock. Mas acredito também que o rock não é o peso, a distorção ou coisa que valha…O rock é um estilo de vida que nasceu com os sopros dos protestos e anseios de uma geração que vislumbrou a independência e se negou a reproduzir literalmente os pais…O rock tem haver com independência e liberdade, e não vejo muito disso quando se está a reproduzir o modelo de um ídolo…claro, todos tem suas influencias, mais entre as minhas figuram bandas cujo o nome dos integrantes eu não sei, e nem me interessa, se a música é boa, eu escuto com gratidão a musa dos caras, e isso é tudo. Na verdade creio que Kurt Kobain representa a velhice precoce do rock e todas as inquietudes daquela geração e das que a procedem. A inquietude de não saber o que fazer com a liberdade conquistada por outrens, suada, ralada, manchada de sangue e dada de mão beijada…Na verdade, a história da humanidade é feita de experimentações, ninguém  sabia onde o socialismo por exemplo ia chegar, nem o capitalismo e já temos dados suficientes para entender que tanto um como o outro fracassaram…nos anos 60 alguém com mais de 30 anos era considerado inimigo da juventude, hoje, são poucos os eleitos como inimigos da mesma, por que o senso crítico foi parar no pé. Não houve no Brasil banda mas genial que os mutantes, por que apesar de incorporar o rock como via, subvertiam o mesmo a estudos ritmos sem limites, e imprimiam a marca deles indo além da mimese…Raul Seixas era o cara por que explorava toda a musicalidade nacional e internacional fazendo com que seu “rock” sibila-se de mãos dadas com o tango e o baião… O rock nacional dos oitenta chupou o new wave até o talo, umas e outras conseguiram criar um estilo próprio, o resto fez o que o The  Smiths fez…Mas a tal da juventude “é uma banda numa propaganda de refrigerantes”…E tome propaganda, e a propaganda propaga o padrão, e padrão impõe um limite…A juventude atualmente escuta qualquer coisa na ânsia frenética de prazer mas do que momentâneo, na velocidade de um click no mouse…Logico, ainda existe a juventude contestadora, sim, ainda existe a juventude inteligente, porém, nessa época em que informação pode ser compartilhada facilmente, parece que tal juventude nunca se viu mas acoada e solitária do que agora…Atualmente a rede exibe inúmeras novidades musicais que apresentam bandas sem nenhum compromisso com modelo x ou y…Creio que a imprensa especializada definiu o trabalho de Basia Bullat como “folk” por falta de outro nome. Considero o trabalho da canadense indefinível…Da mesma maneira, volto meus olhos para o “Local native” e apesar de escutar alguma evidencia de influência de Beatles e do rock inglês, até isso eles conseguem subverter…melodicamente, eles não tem o menor compromisso com estilo algum…Aliais, já dizia Renato Russo, o rock é um estilo de “musica bastarda”, nele tudo cabe, os caras do rock Progressivo sabiam disso…Pra mim o rock convalesce e se não for uma fase de dormência, tal como Osíris suspenso em algum lugar do espaço em que não se vê esperando o resgate de sua amada para poder ser visto novamente no horizonte , será o óbito…Espero que não, pois, reafirmando Renato Russo, há liberdade para tudo, porém, para o exercício da mesma, tem que haver desprendimento, tem que se olhar para dentro e saber o que ainda pode ser feito tomando o passado como adubo e o futuro como potência criativa…

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