A História do Grupo Cultural Azulim

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Elementos da Cultura Urbana Contra a Violência: A História do Grupo Cultural Azulim.

No ano de 1993,  o estudante Marco Antônio Velasco foi espancado até a morte por uma gangue de lutadores de artes marciais quando chegava próximo a sua casa, em uma quadra nobre do Plano Piloto (Brasília-DF), após sair de uma festa com amigos. O crime foi julgado, tendo a participação de alguns menores envolvidos no fato que permaneceram internados em regime semiaberto no Centro de Atendimento Juvenil Especializado (CAJE). Os que tinham maior idade foram julgados e conseguiram também regime semiaberto por serem réus primários. O crime teve repercussão nacional em todo Brasil, o que gerou inúmeras campanhas contra a violência, sendo uma delas a “Dê Um Basta à Violência”, que foi desenvolvida pela própria mãe do estudante.

Com esse fato foram cadastradas inúmeras gangues em todas as cidades do Distrito Federal, sendo cadastrada também os “Azulins”. O nome Azulim foi dado pela comunidade da cidade de Sobradinho-DF a um grupo de sete rapazes negros, que saíam para festas, bares, boates e lazeres que eram encontros de jovens que dançavam “Hip-Hop” e “Break” nos fins de semana dos anos das décadas de 80 e 90, no meio da rua junto com outros jovens. Por estarem sempre juntos e serem “negros”, eram chamados de Azulins e tachados como “A Gangue dos Negos de Sobradinho” e “A Gangue dos Azulins”. Com o intuito de se reverter essa imagem, os jovens foram chamados pelo então Major do 13º BPM de Sobradinho-DF a fim de desenvolverem atividades voltadas à comunidade.

A ideia deu certa. Em março do ano de 1994, uma Associação de Moradores, a ABES (Associação do Bem-Estar Social) da cidade os apoiou. A gangue tornou-se grupo, ganhou a adesão de outros jovens. Nesse mesmo ano, lançaram a Primeira Campanha Contra as Drogas e Violência em Sobradinho II (Azul da Cor do Céu). Em dezembro do mesmo ano, o grupo participou de uma campanha de arrecadação de alimentos e brinquedos, em seguida fizeram uma festa de confraternização chamada “Grupo Azulim no Natal, Sorria Criança Legal”. Desde que foi realizado esse evento, passou a ser feito todo o ano, ganhando grande força no ano 2000 com a parceria do Comitê –DF de Ação e Cidadania Contra a Fome e a Miséria, passando em seguida a fazer parte da “Campanha Natal Sem Forme”, idealizada pelo Sociólogo Betinho.

A principal ferramenta utilizada pelo Grupo Cultural Azulim é o processo de mudança por meio do Hip-Hop (a Música, a Dança e Grafite). Dentro do Grupo Azulim, surgiram os grupos musicais “Liberdade Condicional” e “Retrato Falado” que lançaram simultaneamente seu disco. Com o dinheiro arrecadado em shows e outros eventos, foi  construído com o apoio da comunidade e do Grupo Azulim o Destacamento do 13º Batalhão de Policia Militar-DF em Sobradinho-II, na Quadra AR 13 – Área Especial. Preocupados com combate às drogas e à violência, o Grupo Cultural Azulim passou a investir nas atividades esportivas, realizando uma série de torneios de futebol e vôlei com o titulo de “Uma Jogada Contra as Drogas”. No ano 2000,  o sonho se torna realidade, ganha o registro legal e se torna uma ONG.

O grupo também chega com seus ideais à cidade de Santa Maria-DF. No ano de 2002,  assina com o Ministério da Justiça o projeto “Grupo Azulim Vai à Escola”, atendendo as exigências do programa “Paz Nas Escolas”. Durante oito meses, combateu a violência estudantil,  fato que gerou expectativas surpreendentes. O que vem sendo desenvolvido ao longo desses anos são atividades como a Capoeira, Desenho e Grafite, Oficinas de Dança de Rua e de Oficinas de  Música com DJ´s, sendo os instrutores voluntários da própria comunidade que hoje fazem parte da ONG Grupo Cultural Azulim. As iniciativas eram desenvolvidas com recursos próprios por meio  de bazares, venda de lanches, festas, bailes e barraquinhas de São João.

De acordo com Moacir Cezar de Jesus, Diretor Financeiro da entidade, desde o ano de 2005, o grupo Cultural Azulim vinha prospectando junto à empresa Caixa Seguros apoio e auxilio financeiro para a continuidade de seus trabalhos. Tal fato se concretizou em 6 de dezembro de 2006, por meio de uma pesquisa desenvolvida pela JOSHNOWBRASIL, Caixa Seguros e parceiros; realizada em todo Brasil. A empresa verificou a viabilidade para a realização das atividades propostas pelo Grupo Azulim dentre outras entidades e, no primeiro semestre de 2007,  foi  lançado o “Projeto Jovem de Expressão”, cujo objetivo é diminuir a exposição dos jovens a situações que geram violência  e contanto com a possibilidade de reapresentação do projeto “Moedas Pela Paz”, que foi encaminhado ao Ministério da Cultura e gerou a publicação de um livro intitulado “A Gangue Que Virou ONG”. Em Agosto de 2007, a ONG começa a funcionar na Quadra AR, 09 Conj. 05, Casa 48 em Sobradinho II-DF.

 

Fonte: RAMOS, Rubino Gustavo de Brito e MEDINA, Danila Gomes sob Orientação da Profª. Esp. Rosália Benetti Ribas Licenciatura Plena em Geografia no ano de 2006 UEG – Universidade Estadual de Goiás Unidade Universitária de Formosa-GO.

O Texto contou também com colaboração da Professora Selma Frasão.

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